sexta-feira, 31 de maio de 2013

A ALEGRIA DE NABOR


Como se não acreditasse que suas próprias contas do exercício de 2006 fossem aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado, o ex-prefeito Nabor Wanderley festejou com alegria incontida o episódio ocorrido nesta última quarta feira, dia 29.
Além dele percorrer estações de rádio para anunciar o acontecido, como se isso fosse um fato inusitado em administrações públicas, também familiares e correligionários mais próximos, alardearam a quatro ventos a “boa nova”, inclusive alfinetando alguém, não sei bem quem, que não cria que o TCE fosse absorver a questão e absolve-lo, transferindo para aquela OCIP toda a responsabilidade do que foi considerado, na época, como prejudicial ao erário, imputando ao seu representante legal, a devolução de mais de quinhentos mil reais.
Afinal, depois de marchas e contra-marchas, o TCE aprovou, a nível de recurso,  por maioria, com o voto contrário apenas do Conselheiro Fernando Catão (com ressalva), as referidas contas, ignorando apenas, o Conselheiro, a não comprovação da fonte de recursos de uma multa imputada ao ex-prefeito e que teria sido paga por ele, e que segundo fontes extraoficiais, foi de considerável monta, fato este desmentido, categoricamente, por Nabor, em entrevista concedida a uma emissora local.
Com multa ou sem multa, com ou sem ressalvas, o fato é que as ditas  contas de 2006 foram aprovadas, faltando, ainda, as de 2008, 2010, 2011 e 2012 que, caso venham a ser aprovadas, motivarão, naturalmente,  outros festejos.
E, como vivemos nesse “Brasí caboco, de Mãe Preta e Pai João,” unamo-nos, também, às alegrias de Nabor.
E viva a honestidade e a probidade!

A PROFECIA DE RUY
Ruy Barbosa declarou certa vez, que chegaria o dia em que o brasileiro, diante de tanta roubalheira, teria vergonha de ser honesto. Como se fosse, de fato uma profecia, já chegamos quase  a confirmar o que disse o nosso maior jurista e pensador. Ora, ter contas aprovadas ou coisa que o valha – nada a ver com a matéria acima -,  não é mérito de nenhum gestor. É uma obrigação. Manosear com honestidade e probidade o dinheiro público que vem dos caros impostos pagos pela população é dever de todo administrador que se presa e respeita o voto popular recebido. 
Ocorre que (e aqui não me refiro a nenhum prefeito/prefeita ou gestor público em particular), a grande maioria dos nossos homens públicos entra na política apenas com o fito de “se arrumar, deixando de lado todo e qualquer resquício de honestidade, muitos deles até atropelando  passados dignos, que por ventura tenham construído ao longo da vida. Para a maioria deles, não importa que a verba chegue e siga pelos caminhos tortuosos da roubalheira. Não interessa a estes desonestos que as obras sejam iniciadas, concluídas ou não; que o sucessor pague pelos seus avanços. Nada importa, além do dinheiro surrupiado.
Quando o larápio é sucedido por adversários (também nem sempre honestos), a safadeza vem a público com  estardalhaços; processos são imputados, mesmo que, ao término desses mandatos, tudo aconteça como o ocorrido com o antecessor, formando uma rotina de “rouba-processa” interminável.
Quando, ao contrário, o sucessor é correligionário (muitos deles, sabedores com antecedências dos “buracos” que, naturalmente,  serão aumentados com  os gastos para a sua própria eleição), usa-se o silêncio como providência, dão-se desculpas esfarrapadas e vão deixando o tempo passar, com  a esperança de que um  milagre ocorra, sem se preocupar com os interesses coletivos, interesses reconhecidos em campanha, e frutos de desavergonhadas promessas, que jamais serão cumpridas.
Infelizmente, assim caminha a administração pública no Brasil de hoje, com raras e honrosas exceções.
Também, o que poderia se esperar de um País onde os piores exemplos vêm da cúpula? Que se poderia esperar de um País onde a grande maioria dos detentores de mandatos eletivos se presta a encabeçar a corrupção, cobrando propinas dos entes federados quando as verbas são conseguidas em nome de um pseudo desenvolvimento? Que esperar de um País governado há dez anos por um partido político que, segundo o próprio Supremo Tribunal Federal, capitaneou o maior escândalo da história republicana, o tal de “mensalão”? Que futuro tem um País onde a sua presidenta em viagem ao exterior, autoriza a ausência do seu vice e do presidente da Câmara (os dois primeiros em sua linha sucessória) para deixar o Brasil nas mãos do senador Renan Calheiros, que já afronta por demais a sociedade brasileira apenas pela sua investidura na presidência do Senado Federal?
Paciência! Enquanto a nossa população não for educada o bastante, tiver a consciência e a independência para não  vender o voto, escolhendo pessoas de caráter para nos representar nos vários escalões da República,  rezemos, e muito, para que este estado de coisas se transforme e que um dia, quem sabe não muito distante, nos orgulhemos das nossas autoridades políticas e possamos, enfim, enterrar, de uma vez por todas, a realidade profética do doutor Ruy.

Fonte : José Augusto Longo para o portal patosonline .com

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