segunda-feira, 22 de abril de 2013

Senadores visitam o ‘vexame’ da Transposição


por Josias de Souza



Sem água, canal feito pelo Exército entre os municípios de Floresta e Sertânia é declarado ‘pronto’
Pedaço paralisado no Eixo Leste da Transposição
Se o Brasil fizesse algum sentido, o governo estaria envergonhado por não ter cumprido os compromissos que assumiu em relação à transposição do Rio São Francisco. Como o país desobrigou-se de fazer sentido há muito tempo, o governo apenas renova as promessas aos sertanejos, agora submetidos à mais severa seca dos últimos 50 anos. Um pedido de desculpas? Nem pensar.

Na última sexta-feira (20), senadores da comissão especial constituída no Senado para acompanhar as obras da transposição fizeram a segunda visita ao empreendimento em menos de dois meses. Dessa vez, sobrevoaram o Eixo Leste. Acompanhados do ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional), estiveram em duas cidades pernambucanas (Floresta e Sertânia) e uma paraibana (Monteiro).

Nesse trecho, o único pedaço com cara de coisa pronta é um canal feito pelo Exército. Cerca de 5,5 quilômetros. Vai escoar água retirada do lago da barragem de Itaparica. Por ora, nem sinal dos equipamentos necessários ao bombeamento da água. De resto, os senadores visitaram um canteiro reativado, e testemunharam a paralisia em outros. Na território paraibano nem obra há. A licitação deve ser feita em uma semana.

As fotos que ilustram esse texto foram tiradas pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Ele utilizou a câmera do celular. Impressionou-se com “os trechos abandonados” que observou ao longo do percurso: “A obra está toda picotada.” Além de Cássio, integravam o comboio: Vital do Rêgo (PMDB-PB) e Humberto Campos (PT-PE) –respectivamente presidente e relator da comissão—, e Cícero Lucena (PSDB-PB).

O ministro Bezerra reiterou que a transposição estará pronta em fins de 2015, primeiro ano do próximo governo. É o terceiro calendário. Lula prometera entregar uma parte da obra em 2010. Nada. Empurrara para 2012, já sob Dilma. Necas. Nesse intervalo, a única coisa que evoluiu rapidamente foi o custo. Ministra, Dilma avalizara um orçamento de R$ 4,8 bilhões. Presidente, ela convive com previsões que jogam o orçamento da obra para R$ 8,4 bilhões.

Numa explicação cândida, Bezerra justifica o atraso invocando a má qualidade dos projetos. Eram projetos básicos, não executivos, diz o apadrinhado de Eduardo Campos (PSB). De resto, havia terrenos por desapropriar e licenças ambientais por obter. Dilma talvez devesse imitar Lula e redigir uma carta aos brasileiros. O texto diria algo assim:



Sertanejos e sertanejas, não é preciso dizer que estamos envergonhadíssimos porque não cumprimos nenhuma das nossas promessas. Sei que vocês ficaram aborrecidos conosco. E com razão. Peço que suportem a seca, aceitem a nossa explicação técnica –“O Brasil é assim mesmo”— e dêem um crédito de confiança ao doutor Bezerra, esse afilhado do nosso querido Eduardo Campos.

É verdade que, como mãe do PAC, eu autorizei o início das obras a partir de ‘projetos básicos’, um eufemismo para falta de planejamento. Claro que isso não reflete, em absoluto, o nosso modo de agir. Apenas nós precisávamos ter o que apresentar na propaganda de 2010. Agora estamos jogando a inauguração para 2015. Dessa vez é pra valer. Mesmo.

Se vocês me reelegerem juro que inauguramos a obra. Por tudo o que é mais sagrado. Que caiam o bigode do Sarney, a empáfia do FHC e a inflação se nós estivermos mentindo. Com amor, Dilma.”

do Blog do Josias

* Ressalva feita por Marcelo Negreiros.
Na matéria acima o colega jornalista esqueceu de citar a presença do Deputado Federal Hugo Motta que também junto com os conterrâneos da paraíba embarcou na aeronave que trouxe a comitiva para Monteiro, registrado por Cássio Cunha Lima. Veja Foto:

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