quinta-feira, 11 de abril de 2013

CEM DIAS DA PREFEITA


por José Augusto Longo publicado no Patosonline.com


A coletiva dada pela prefeita Francisca Mota, pelos seus cem (poderia ser escrito com S) dias de governo, não trouxe nenhuma surpresa. Foram cem dias de projetos, de desculpas, de evasivas e de espera. Foram cem dias que, para o menos entendedor, apenas serviram para que a prefeitura procurasse uma fórmula que pudesse levar ao eleitor uma justificativa que convencesse aos que esperavam, e ainda esperam, que a nossa gestora, de fato, cumpra o que prometeu em seu ambicioso plano de governo.


Como se tivesse pisando em areia movediça, a nossa prefeita que, a bem da verdade, deixa transparecer boa vontade, passou esses primeiros cem dias apenas dando desculpas, tentando se equilibrar sobre uma amarga realidade que, infelizmente, e por motivos óbvios, não veio ao conhecimento público.


Ora, se o mandato atual e uma continuação dos últimos oito anos; se a equipe de governo conta apenas com uma única cara nova – a engenheiro Assunção –; se a chamada equipe econômica, aí incluindo a contadora Clair Leitão, permaneceu na atual gestão, tudo igualzinho ao governo de Nabor, por que então a dificuldade, ao ponto de esperar que o Tribunal de Contas venha determinar quais os investimentos poderão ser feitos nesse início de administração?


Ora, atitude desse tipo se vê, quando quem ganha a eleição é um adversário que, desconhecendo a real situação do Município, teme pisar em falso e levar a culpa por eventuais desmandos do antecessor. Para correligionário esta atitude da prefeita Francisca é francamente inusitada, nunca vista. Esperar o que do TCE, se lá tudo que existe foi graças aos documentos e às informações prestadas pela equipe que continua mandando? Se alguma dúvida existe, por que então não perguntar aos auxiliares remanescentes em sua quase totalidade, que geraram toda a documentação, cujas cópias devem estar arquivadas na prefeitura?


Apelar para o Tribunal de Contas ou é coisa de adversário desconfiado ou de correligionário que não deseja arcar com possíveis erros existentes. Caso houvesse, de fato, uma certeza, se de fato a nossa prefeita tivesse pisando em terreno sólido, já teria mandado ver, na execução de seu plano de governo, e nunca esperando pelo sinal verde do TCE.


Cem dias já se passaram sem que nenhuma obra de vulto fosse iniciada. O que se viu na prestação de contas feita durante a entrevista coletiva, foram projeções, a maioria delas focada no excelente trabalho, diga-se de passagem, do deputado Hugo Mota que, ao que deixou transparecer, será o responsável por todas as obras estruturantes que por ventura venham ser realizadas no futuro. É o caso de ser perguntar: será que todos os prefeitos que passaram anteriormente, somente realizaram importantes obras graças ao trabalho de deputados? Será que Rivaldo, Dinaldo e o próprio Nabor até a metade do seu segundo mandato contaram com a exclusividade de um deputado Federal? Será que todos eles tiveram, na plenitude de suas gestões, o respaldo do governo do Estado?


O Orçamento da Prefeitura para este ano, está projetado em cima de R$ 224 milhões, dinheiro este que já poderia estar sendo usado para investimentos. A prefeita prometeu, para citar apenas um item de seu Plano de Governo, a construção de 1000 casas populares a cada ano, ou seja, quatro mil casas durante os quatro anos, o que daria uma média de 2,73 moradias por dia, aproximadamente 80 por mês. Cem dias já se passaram e nenhuma delas foi edificada.


Mas, como seria possível construir mil casas, se para a Secretaria de Habitação, apenas um orçamento de R$940.000 foi projetado, segundo nos garante o jornalista e pesquisador Adilton Dias? Será que o nosso mestre de obras Hugo, terá que também arcar com a responsabilidade de construí-las?


A prefeitura, pela projeção do Orçamento para 2.013, tem dinheiro suficiente para que obras sejam tocadas.


Claro que é necessário, se possível, um reforço por parte de convênios ou emendas parlamentares, mas, o que não se pode é ficar na inércia, deixando para a reclamação diária do público, os maus serviços prestados pela saúde, pela coleta de lixo, pela existência de esgotos à céu aberto, pela infestação de animais, inclusive cachorros doentes e transmissores de carrapatos, que circulam livremente pelas nossas ruas, pela colocação exagerada de quebra-molas sem a devida sinalização, dentre outros serviços clamados pela sociedade.


A prefeitura anuncia constantemente que as verbas necessárias para a complementação das obras inacabadas deixadas pela administração Nabor, dentre estas a Alça Sudoeste, as UPAS – a do Campo da Liga, bem como a Alça, continuam paradas - , o Canal do Frango, além de inúmeras outras, está depositada no Caixa Econômica, à disposição da prefeitura. Não nos cabe, absolutamente, desmentir tal afirmativa ou duvidar dela. O que nos causa espécie é que, se o dinheiro de fato esta depositado na Caixa, por que então não tocar os projetos adiante e por que, também, paralelamente, não investir com dinheiro próprio em realizações e serviços que não somente foram prometidos em campanha, mas, que de fato, fazem falta à população?


Rezemos, por tanto, para que o inusitado documento do Tribunal de Contas chegue antes dos próximos cem dias, pois, parafraseando o que se diz da galinha: de cem em cem dias o mandato acaba.



José Augusto Longo




(josaugusto09.@gmail.com)

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